10 anos de games
Dez anos de luta, trabalho e profissionalismo
Um caminho duro, cheio de obstáculos, mas vitorioso. Assim posso resumir a trajetória da Revista GAMES MAGAZINE, que completa, no dia 8 de janeiro de 2007, 10 anos de veiculação. Aliás, uma trajetória que se identifica com a história dos Bingos no Brasil.
Legalizado em 1993, o Bingo nasceu com a finalidade de fomentar o desporto nacional. A Lei Zico, que regulamentou o segmento, depois alterada pela Lei Pelé, autorizava as Entidades Esportivas a explorarem, direta ou indiretamente, a atividade de Bingo. A Lei determinava ainda que, da destinação total dos recursos arrecadados em cada sorteio, 7% seriam repassados à Entidade Desportiva – quando explorados de forma indireta - e 65% destinados à premiação, incluindo a parcela correspondente ao imposto sobre a renda.
Sustentado pela Lei, o primeiro a abrir as portas no País foi o Bingo Pamplona. Depois dele, vieram o Bingo Cachoeira, o Bingo 23, o Angélica e o Itaim, todos na capital paulista. Após conquistar São Paulo, o Bingo chegou ao Rio de Janeiro. O Scala, no Leblon, foi a primeira casa a ser inaugurada. Depois veio o Bingo Arpoador, no Rio . Seguindo a trilha do sucesso, Porto Alegre foi a próxima a se render aos encantos do jogo e o Mega Bingo foi a primeira de uma série de outras bem sucedidas Organizações. Royal Palace em Curitiba foi o primeiro no Paraná. Em 1995 surge em Santa Catarina o primeiro bingo em shoping center. Organizações Golden Bingo dá início a uma bem sucedida etapa. A partir destas capitais, o Bingo espalhou-se por todo o País e se transformou num dos grandes programas de lazer e entretenimento.
Em 1997, foi nossa vez de chegar ao mercado. Mas, antes disso, fiz uma longa e ampla pesquisa mercadológica para conhecer e definir a estratégia que seria aplicada no mercado. Passei todo o ano de 1996 em viagens, pesquisas e estudos. Queria realmente entender como funcionava o mundo dos jogos. Fui inclusive, buscar grande parte desse conhecimento fora do Brasil, em Madrid, na Espanha, e Buenos Aires, na Argentina.
Feito isso, procurei aplicar os conhecimentos adquiridos ao mercado brasileiro, que possui características e formato próprios. E nós, da GAMES MAGAZINE, seguimos os passos e crescemos proporcionalmente ao que aconteceu com o segmento no Brasil. Tornamo-nos a voz oficial dos Bingos e o canal direto de comunicação entre empresários, indústrias e público consumidor.
Assim, o segmento passou a ter vida e mundo próprios. Com isso, nasceram as Feiras nacionais e internacionais. Aprendemos com o tempo a importância das mesmas para o setor. Sendo assim, procuramos estar em todas elas. Onde havia uma Feira, lá íamos nós com exemplares da GAMES MAGAZINE para representar o Brasil e mostrar o sangue que corre nas veias do nosso povo. Inglaterra, EUA, Itália, Rússia, Colômbia, Venezuela, Chile, Peru, Argentina, Uruguai... em todas elas, havia um estande da GAMES MAGAZINE. E projetado aos dias atuais, acabamos de chegar da Feira de Las Vegas. A próxima feira mundial importante acontece em Londres em Janeiro de 2007.
Lá estaremos como representantes da imprensa especializada brasileira para divulgar nosso trabalho e trazer as tendências técnicas do segmento, fundamentados mais uma vez na responsabilidade e profissionalismo que sempre buscamos levar ao mercado e que são bases da nossa conduta. Todos nós, empresários da área de Bingos, estávamos eufóricos e dispostos a investir cada centavo do resultado do nosso suor no crescimento do próprio negócio e do setor. Mas, foi aí que começaram os problemas em relação à regulamentação dos Bingos. E vieram em duas etapas específicas. A primeira foi em 2004, com a MP 168 que fechou os Bingos. A outra aconteceu em 2005, na CPI dos Bingos, que investigou o ramo e o virou de ponta cabeça, sem nada encontrar.
Mas, apesar de muitas dificuldades que tivemos pelo caminho, jamais permitimos que elas fossem mais fortes que os nossos ideais. Por isso, em dez anos não deixamos um bimestre sequer sem que nossa GAMES MAGAZINE circulasse pelos bingos. A cada nova edição, nos fortalecíamos e abríamos nosso espaço e credibilidade no segmento.
E quantas não foram as vezes em que fui questionado, principalmente nos contatos com profissionais de outros países, que faziam a seguinte pergunta: “Por que o Brasil não edita uma lei para os Bingos?”. Eu tentava explicar. Mal sabiam eles que essa também era uma pergunta que nós, brasileiros, fazíamos a nós mesmos. E pensar que em Cuba, Raúl Castro, irmão de Fidel Castro, abrirá em janeiro licitação para indústrias de máquinas e empresários para a montagem de oito cassinos, só restamos nós.
E foi em busca dessa resposta que nos unimos às entidades importantes e representativas do segmento, como Abrabin,liderada por Olavo Salles e a Febrabingo, representada por Carlos Canto. Unidos em prol de uma regulamentação. Definitiva para o setor, empresários de vários estados criaram o MPB (Movimento- Pro Bingo), que serviria como ponto de referência e apoio para os sindicatos e as várias associações patronais e de trabalhadores da atividade. Juntos, criaram o MPB (Movimento Pró-Bingo), liderado por Carlos Canto e primeiramente por Jaime Sirena que juntas promoveram passeatas nas principais cidades brasileiras e que culminaram com a ida de um grande grupo a Brasília, onde pudemos mostrar nacionalmente os motivos e causas da nossa luta.
Foi uma atitude acertada. Graças a ela, políticos sensíveis se interessaram por conhecer melhor o segmento. Assim como setores da imprensa, que passaram a colocar na balança o peso que os Bingos representavam na geração de empregos e recursos com os tributos pagos. Ganhamos, então, aliados importantes entre os políticos e a imprensa para a nossa luta.
Aliás, impossível deixar de citar o apoio irrestrito dado por Paulinho, da Força Sindical, que se tornou um bravo guerreiro do nosso exército. E como é grande nosso exército. Entre empregos diretos e indiretos (indústrias de ar condicionado, mesas, cadeiras, taxistas, Revistas, Site, equipamentos, gráficas etc), quase 700.000 famílias são sustentadas pelo trabalho gerado pelos Bingos. Aliás, gostaria de me aprofundar um pouco nos números para mostrar o que representam o Bingos na economia brasileira:
- 120 mil empregos diretos;
- 200 mil empregos indiretos;
- Mais de 600 clubes e federações esportivas recebem 7% do faturamento dos bingos;
- R$ 350 milhões anuais em impostos são recolhidos aos cofres públicos;
- Segundo estudo do Dr. Osíris Lopes Filho, ex-secretário da Receita Federal, a arrecadação tributária do Setor pode alcançar cerca de R$ 2.500.000.000,00 (dois bilhões e quinhentos milhões de reais) por ano, considerando o número de estabelecimentos já existentes, taxando inclusive as máquinas de vídeo bingo, caso estas venham a ser regulamentadas dentro dos Bingos;
- R$ 18 milhões são destinados às Entidades Desportivas, segundo Relatório da Administração da Caixa Econômica Federal, exercício de 2001, ano em que a Caixa iniciou a efetiva administração dos jogos de Bingo no País;
- R$ 12 milhões para o Ministério do Esporte e Turismo, segundo Relatório da Administração da Caixa Econômica Federal, exercício de 2001;
- Inúmeras instituições que atuam com menores carentes e/ou deficientes recebem apoio dos Bingos;
- A regulamentação dos bingos pode gerar 300 mil novos empregos.
Bem, mas chega de relembrar... A hora, agora, é a de olhar para frente. De planejar, prospectar e investir no segmento. Sim, porque em 2007 caminhamos para a liberdade. Rumamos para a regulamentação. Não queremos privilégios; queremos e precisamos apenas de liberdade de trabalho. De saber que chegaremos ao trabalho e a porta estará aberta, e não lacrada. Que poderemos projetar um crescimento ou plano de carreira na empresa, pois nosso patrão será tratado como um empresário de sucesso e não como um fora-da-lei.
Esse momento está próximo. E, particularmente, devemos também muito dessa força para chegar até aqui a você, querido leitor, que sempre acreditou no nosso trabalho e potencial. Afinal: feliz daquele que sonha e acredita. Nós, da GAMES MAGAZINE, somos assim, pois sonhamos com a regulamentação e acreditamos na luta e seriedade do nosso segmento!