Argentina
Um Estado Socialmente Ativo
Com exclusividade para Games Magazine, o vice-presidente da nação, Daniel Scioli deu sua opinião sobre a situação e perspectivas da indústria dos jogos na Argentina e sobre a transcendente responsabilidade social que compete ao Estado neste assunto.
Neste momento, em que a Argentina está avançando com a força de todos os setores que compõem a sociedade, é importante que haja uma sinergia entre os setores empresariais responsáveis e um Estado socialmente ativo. O trabalho conjunto entre estes dois agentes pode proporcionar frutos benéficos para toda a comunidade.
Essa união de forças entre a indústria do jogo e o trabalho do Estado pode contribuir significativamente para a construção de uma sociedade mais próspera e bem sucedida. É através da solidariedade social que esta conjunção de energias tem obtido os maiores resultados. Através da contribuição feita pelas diferentes Loterias Provinciais e pela Loteria Nacional aos variados programas sociais, gera-se um valor adicional ao trabalho que a indústria proporciona. Ao participar dos jogos da Loteria Nacional, grande parte do valor arrecadado é destinada ao Ministério de Desenvolvimento Social. Essa é uma iniciativa que devemos tomar como exemplo de responsabilidade social e empresarial.
A indústria do jogo legal tem um enorme potencial, tanto para a economia nacional em sua totalidade, como para as regionais. O fomento ao turismo interno é um dos modos nos quais vemos que o jogo legal pode ajudar a reorganizar a nossa economia, já que o turismo interno e receptivo encontra nele uma fonte de entretenimento e um grande atrativo, que com sua presença destaca a oferta das cidades nas quais se encontra.
Dando previsibilidade ao tema, poderemos ampliar de forma crescente esse atrativo para outras cidades e localidades, que serão beneficiadas por novos investimentos e fontes de trabalho. Há muitos casos no mundo que mostram os fins benéficos da indústria dos jogos para o turismo. Por isso, adotando o seu exemplo de gestão bem sucedida, devemos associar os atrativos que podem ser gerados pela indústria do jogo legal, para expandir o forte crescimento do nosso turismo. Por outro lado, aqueles modelos bem sucedidos não deixaram de trabalhar sobre o risco que pode ser ocasionado pelo vicio em jogos, um problema que, se for tratado de maneira séria e como um perigo real, pode ser solucionado em sua fase inicial. Não devemos deixar de lado esse grave problema. Devemos ter consciência de sua magnitude e responsabilizar-nos por sua prevenção e tratamento.
O jogo pode funcionar também como uma ferramenta alternativa útil para gerar maior arrecadação e como um importante gerador de empregos. No caso concreto da Cidade de Buenos Aires, estima-se que o volume bruto gerado pelos jogos alcance valores próximos a bilhões de pesos anuais. A partir da criação do Instituto do Jogo, a cidade arrecada uma porcentagem pela exploração desses jogos dentro do seu território, podendo gerar um controle eficaz para que essa porcentagem seja corretamente administrada e, principalmente, para gerar um capital que pode ser totalmente destinado à assistência social. Essa medida permite que o governo da cidade aumente significativamente sua receita. Por outro lado, dessa maneira também se combate o jogo clandestino, que ocasiona prejuízos significativos em termos de evasão fiscal e constitui-se em um delito que não está sendo corretamente combatido pela cidade.
A Argentina deve recuperar a cultura do trabalho. Após a crise de 2001, os argentinos não enfrentam somente uma catástrofe financeira. Também tiveram que enfrentar uma crise de valores. Começamos a sair dessa crise graças, em parte, a uma reativação e reinserção da nossa população ao mundo do trabalho. Graças a isso, começamos a recuperar a cultura do trabalho. Este esforço deve ser compartilhado pelos setores privado e público, sempre realizado com grande responsabilidade e muito empenho. Um exemplo disso é a contribuição das máquinas eletrônicas de jogos, que geram para o governo da província de Buenos Aires uma arrecadação de 500 milhões de pesos em contribuições fiscais e produz 10.000 empregos diretos e mais do triplo indiretos, com uma indústria nacional capaz de produzir exportações tecnológicas e de valor agregado.
Dentro dessa indústria existe uma grande praga que ameaça não somente os interesses da indústria em si, mas também toda a sociedade: o jogo clandestino. Para combater esse mal, é necessário promover um absoluto controle sobre os jogos. Perseguimos o jogo clandestino em todas as suas variantes e expressões, a partir de todos os âmbitos. Durante minha atividade como legislador, tive consciência desse problema e redigi um projeto de lei contra o jogo clandestino. Acredito na necessidade de combater a ilegalidade nesse terreno, porque ela gera delitos maiores e, além disso, constitui uma perda para a comunidade de fundos destinados a fins sociais, como o financiamento de programas para a promoção da saúde e alimentação dos setores mais vulneráveis. É necessário acabar com a tipificação do jogo clandestino como contravenção, para qualificá-lo como delito e estipular duras sanções para os seus promotores.
A indústria do jogo ainda tem muito a contribuir para o esforço co-letivo que estamos empreendendo para recuperar o país. Devemos continuar trabalhando para que o país e a cidade continuem crescendo. Nesse caminho, unindo esforços obteremos o resultado que todos desejam e esperam.