Bingo Cambuci - 6 anos de dedicação e boas ações
Games Magazine sempre dedicou boa parte de suas reportagens para destacar o apoio dos bingos ao esporte. Mas falar do Bingo Cambuci, que completou seis anos em julho, é ainda mais gratificante, pois a casa apóia, desde sua fundação, o Cesec – Centro de Emancipação Social e Esportiva de Cegos.
Fundado em 1998, os sócios do Cambuci entenderam que o bairro, cuja população da terceira idade era muito grande e não tinha muitas opções de lazer, poderia ter um bingo que atendesse a essa carência. Abriram a casa e durante todo esse tempo conquistaram a simpatia da comunidade não apenas pelo lazer sadio que oferecem, mas pela atenção dada aos clientes e pelas ações sociais que desenvolve, em especial ao Cesec.

Futebol jogado por cegos
Os diretores da casa, comentam que durante o período em que vigorou a MP 168, que fechou os bingos, os clientes mostraram muita preocupação com o momento difícil do Bingo Cambuci. "Muitos freqüentadores vinham ao bingo para saber se poderiam fazer abaixo-assinados ou participar das passeatas pela reabertura. Isso demonstra o carinho e a preocupação da comunidade conosco e com os 50 funcionários que trabalham diretamente na casa. Por isso, é uma grande alegria poder comemorar o 6º aniversário com a casa cheia novamente", contam.
Mas o drama maior foi para o Cesec, que quase perdeu o apoio do Cambuci para suas atividades esportivas voltadas aos deficientes visuais e correu o risco de não ter condições de ir para Atenas, nas Pára-Olimpíadas. "Para nós é um orgulho poder ajudar o Cesec, uma vez que eles desenvolvem um trabalho extraordinário e nossa maior preocupação foi imaginar que eles poderiam ficar sem a verba que destinamos a eles", afirmam os diretores.
O Cesec foi criado há 18 anos por jovens cegos que saíram do Instituto Padre Chico, no Ipiranga, para buscar uma entidade jurídica e poder competir em várias modalidades esportivas. Carlos Eduardo Ferrari, presidente do Cesec, conta que o crescimento da entidade e a conquista de títulos aconteceu em meados da década de 90, mas a entidade não conseguia deslanchar por causa da falta de verbas. "Foi aí que surgiu a oportunidade de nos associarmos ao Bingo Cambuci e conseguir verbas para poder continuar dando dignidade e recuperar a vida das pessoas, pois percebemos que muitos deficientes visuais tinham perdido o gosto de viver ao ficarem cegos. A receita do bingo veio para nos dar a certeza de que a programação feita no início do ano poderia ser cumprida até dezembro. Atendemos não apenas a esportistas que disputam medalhas em torneios ou até mesmo nas Para-Olimpíadas, mas que treinam como qualquer outra pessoa em seus esportes preferidos. Isso torna o Cesec um centro não apenas para esportistas, mas para todos que queiram se reintegrar à sociedade", diz Carlos, lembrando que "com a chegada do bingo, passamos a ter mais planejamento e se não fosse o Cambuci, tudo ficaria parado. Em fevereiro, com a proibição, ficamos muito preocupados com o futuro de nossa entidade".
O Cesec atende a 380 associados, que praticam futebol (B1, para cegos totais, e B2, para deficientes com cegueira parcial), judô, natação, atletismo e goalball (modalidade esportiva criada especialmente para cegos). Nas Para-Olimpíadas de Atenas, sete atletas da entidade estarão disputando futebol (1), judô (3), atletismo (1) e goalball (2).
Carlos Ferrari deixa como mensagem ao Bingo Cambuci, pelo sexto aniversário, o seu reconhecimento: "parabéns e muito obrigado. Talvez os diretores da casa não tenham idéia da importância do apoio que recebemos. Eles são fundamentais para nossa existência".
Ao presidente da República, com quem vai se encontrar antes da delegação para-olímpica viajar para Atenas, Ferrari diz: "gostaria que o presidente refletisse e que verificasse de perto as mudanças que uma parceria como a do Cesec com o Bingo Cambuci pode causar na vida das pessoas. É importante que ele saiba que o Brasil tem 10% de pessoas com algum tipo de deficiência e que ao mexer com uma atividade econômica como a dos bingos, não está tomando apenas uma medida burocrática, mas afetando a vida de milhões de pessoas".