Saúde na Colômbia é beneficiada pelo jogo
A Colômbia é um dos países latinos mais avançados em termos de legislação de jogo, onde são permitidos cassinos, bingos, loterias (incluindo aí a Chance, idêntica ao jogo do bicho), apostas em corridas de cavalos, cães, brigas de galo e outras modalidades de jogos. A Lei 643, de 2001, determina a administração, controle, fiscalização e exploração de todos os tipos de jogos à Etesa – Empresa Territorial para la Salud,que destina entre 90% e 95% de toda sua receita para o setor de saúde no país, o que demonstra de maneira inequívoca a importância dos jogos para a sociedade colombiana.
Gloria Beatriz Giraldo Hincapié, presidenta da Etesa, diz que "a legislação em matéria de jogos existente na Colômbia se diferencia em muitos aspectos da grande maioria dos outros países, por destinar os recursos totalmente à área da saúde, o que tem legitimado o setor de jogos como atividade econômica positiva e chamado a atenção de entes reguladores de outros países".
Para ela, a regulamentação do jogo na Colômbia alcançou um equilíbrio muito importante entre o controle que devem realizar diretamente as entidades responsáveis do monopólio frente aos operadores de jogos e público apostador. "Os primeiros se dedicam principalmente à geração de maiores recursos, controlando a evasão e propiciando novos negócios, para que os apostadores, diante da lei da oferta e da procura, obriguem os operadores a gerar prêmios interessantes e a cumprir com o pagamento, fazendo com que o Estado somente intervenha quando esse equilíbrio se rompe em detrimento do apostador", afirma Gloria.
Segundo ela, desde a aprovação da Lei 643 simplificou-se muito as formas de autorização, controle e fiscalização dos operadores das diferentes modalidades de jogos na Colômbia, o que reduziu em muito os custos da Etesa, facilitando seu exercício e garantindo maior destinação de recursos para a saúde. "Os principais indicativos de que a nova maneira de atuar está sendo positivo é que a arrecadação cresceu 39% desde a entrada em vigor da Lei 643", afirma Gloria, destacando que "estamos num processo de mudança de mentalidade, em que o Estado e os operadores precisam entender que somos sócios em um negócio que está regido por regras claras para benefício de toda a sociedade". Para se ter um alcance do que representa a arrecadação da área de jogos, o orçamento de 2003 da Etesa foi de 107 bilhões de pesos colombianos (quase US$ 40 milhões), crescimento de praticamente 34% sobre o ano anterior. "E apenas uma parte mínima desse total, que varia entre 5% e 10%, é destinada à própria Etesa para seus gastos administrativos", diz Gloria. Segundo ela, o Ministerio de la Protección Social está aplicando muito bem os recursos recebidos da Etesa. "Nosso país tem graves problemas sociais e de saúde, o que faz com que as verbas destinadas pelo jogo ao setor seja extremamente importante para a política de melhoria da qualidade de vida da população. Nossa meta, agora, é fortalecer a atividade de jogos, inclusive com a criação de outras modalidades de apostas, para aumentar a receita a ser destinada à saúde", afirma a presidenta da Etesa.